22 Nisan 2016 Cuma

Companheiros da Caverna

Companheiros da Caverna


Ou pensas tu que os Companheiros da Caverna e da Inscrição foram algo extraordinário entre os Nossos Sinas? (Capítulo Al-Kahf – 18:9)
No 18° capítulo do Alcorão, denominado"Al-Kahf", que significa "A Caverna", é contado o episódio relativo a um grupo de jovens, que se tinha abrigado numa caverna para se esconder do governante que rejeitava Allah e praticava a opressão e a injustiça, particularmente para com os crentes. Os versículos relativos ao assunto são os seguintes:
Ou pensas tu que os Companheiros da Caverna e da Inscrição foram algo extraordinário entre os Nossos Sinas?
Recorda de quando um grupo de jovens se refugiou na Caverna, dizendo: Ó nosso Senhor, concede-nos a Tua misericórdia, e reserva-nos um bom êxito na nossa situação!
Então, Nós selamos-lhes os seus ouvidos, (adormecendo-os) durante um certo número de anos, na Caverna:
Efes'te Ashab-ı Kehf'e ait olduğuna inanılan mağaranın içi
Depois acordámo-los, para verificar qual dos dois grupos melhor sabia calcular a quantidade de tempo que haviam permanecido ali.
Narramos-te a sua história com a verdade: Eram jovens crentes no seu Senhor, e guiamo-los:
E fortalecemos os seus corações; e quando se ergueram, disseram: Nosso Senhor é Senhor dos céus e da terra e jamais invocaremos nenhuma outra divindade em vez d'Ele; pois se o fizéssemos seria uma enorme insensatez!
Estes povos adoram outras divindades, em vez d'Ele, embora não lhes tenha sido concedida alguma autoridade evidente para tal. Haverá alguém mais iníquo do que quem forja mentiras acerca de Allah?
Quando virardes as costas ao que eles fazem e às coisas que adoram, em vez de Allah, refugiai-vos na Caverna: então, o vosso Senhor vos cobrirá com a sua misericórdia e vos reservará um feliz êxito no vosso emprendimento.'
E tu poderias ter visto o sol, quando se elevava, resvalar a Caverna pela direita e, quando se punha, deslizar pela esquerda, enquanto eles ficavam no seu espaço aberto. Este é um dos Sinais de Allah: Aquele que Allah encaminhar estará bem encaminhado; mas aquele que Allah abandonar, jamais poderás achar-lhe protector que o guie (para o Caminho Correcto).
(Se os houvesses visto), Julgá-los-ias despertos, apesar de estarem dormindo, pois Nós os virávamos, ora para a direita, ora para esquerda, enquanto o seu cão dormia, com as patas estendidas, na entrada da Caverna. Se os tivesses observado de perto, decerto fugirias deles, apavorado.
E eis que os despertamos para que se interrogassem entre si. Disse um deles: Quanto tempo permanecestes (aqui)? Eles responderam:
Porque, se vos descobrirem, decerto apedrejar-vos-ão ou forçar-vos-ão a retomar o seu culto e, então, jamais alcançareis a vossa prosperidade.
Assim demos então a conhecer o seu caso às pessoas, para que pudessem estar cientes de que a promessa de Allah é verdadeira, e de que não existe lugar para dúvidas relativamente à Hora do Juízo. E quando os habitantes da cidade discutiram este caso, entre eles disseram: Construí um edifício sobre eles; o seu Senhor sabe melhor o que lhes diz respeito. Aqueles que venceram na argumentação disseram: "Construí um local de culto, por cima da Caverna.
Alguns diziam que eram três, sendo o cão o quarto elemento; outros diziam que eram cinco, e o cão o sexto, fazendo palpites ao acaso; e outros, ainda, diziam que eram sete, sendo o cão o oitavo elemento.
Dize: "O meu Senhor conhece melhor do que ninguém o seu número e só poucos o conhecem! Assim, não discutas, pois, a respeito disto, a menos que seja de um modo claro, e não inquiras, sobre eles, ninguém.
Nem digas, do que quer que seja, "Amanhã farei isto e isto", sem acrescentar, "Se Allah quiser!" e recorda o teu Senhor, quando te esqueceres, e dize: É possível que o meu Senhor me guie para o que está mais próximo da verdade.
E eis que permaneceram na sua Caverna trezentos anos.
Dize-lhes: Allah sabe melhor do que ninguém quanto tempo lá passaram, porque é Seu o mistério dos céus e da terra. Quão claramente Ele vê, quão facilmente Ele escuta (tudo)! Eles não têm outro protector que não Ele, e nem Ele partilha com ninguém a Sua governação  (Capítulo Al-Kahf – 18:9-26)
De acordo com a crença generalizada, os Companheiros da Caverna, elogiados tanto pelas fontes Islâmicas como pelas Cristãs, foram sujeitos à cruel tirania do Imperador Romano Decius. Face à opressão e injustiça de Decius, estes jovens avisaram, por diversas vezes, o seu povo para que não abandonasse a religião de Allah. A indiferença do seu povo perante a sua transmissão da mensagem, o aumento da opressão por parte do imperador e as ameaças de morte de que foram alvo, conduziram-nos a abandonar os seus lares.
Como comprovam os documentos históricos, nessa época muitos eram os imperadores que implementavam e executavam políticas de terror, opressão, e injustiça para com os crentes que defendiam o antigo Cristianismo na sua forma original.
Numa carta escrita pelo Governador Romano Pilinius (69-113 D.C.), que estava no noroeste da Anatólia, ao Imperador Trayanus, são referidos "os companheiros do Messias (os Cristãos) que foram punidos por se recusarem a adorar a estátua do Imperador". Esta carta é um dos mais importantes documentos relativos à opressão sofrida pelos antigos Cristãos nessa época. Sob semelhantes circunstâncias, estes jovens, a quem tinha sido ordenado que se submetessem a um sistema não religioso ou a um imperador no lugar de Allah, não aceitaram a ordem e disseram:
Nosso Senhor é Senhor dos céus e da terra e jamais invocaremos nenhuma outra divindade em vez d'Ele; pois se o fizéssemos seria uma enorme insensatez! Estes povos adoram outras divindades, em vez d'Ele, embora não lhes tenha sido concedida alguma autridade evidente para tal. Haverá alguém mais iníguo do que quem forja mentiras acerca de Allah? (Capítulo Al-Kahf – 18:14-15)
No que diz respeito à região onde os Companheiros da Caverna viveram, existem diversas teorias. A mais razoável de entre elas aponta para o Efêso e Tarso.
Quase todas as fontes Cristãs mostram o Efêso como a localização da Caverna onde estes jovens crentes se abrigaram. Alguns investigadores Muçulmanos e os intérpretes do Alcorão concordam com os Cristãos relativamente ao Efêso. Outros explicaram detalhadamente o porquê da região em questão não poder ser essa, tentando provar que o acontecimento teve lugar no Tarso. Neste estudo, lidaremos com ambas as possibilidades. Contudo, todos esses investigadores ─ incluindo os Cristãos ─ afirmam que o evento teve lugar no tempo do Imperador Romano Decius (também chamado Decianus), por volta do ano 250 D.C..
Decius, lado a lado com Nero, é conhecido por ter sido o Imperador Romano que exerceu a mais severa tortura sobre os Cristãos. Durante o seu curto reinado, fez passar uma lei que obrigava toda a gente sob a sua alçada a oferecer um sacrifício aos Romanos. Todos eram obrigados a oferecer um sacrifício a estas divindades, e exibir um certificado de aprovação comprovativo deste acto, para ser examinado pelos funcionários do estado. Aqueles que não obedecessem a esta regra seriam executados. Nas fontes Cristãs encontra-se escrito que a grande maioria dos Cristãos evitou cometer este acto idólatra fugindo de "cidade em cidade", ou refugiando-se em abrigos secretos. Os Companheiros da Caverna eram, com grande probabilidade, um grupo respeitador de entre estes primeiros Cristãos.
No entanto, subsiste um ponto a ser destacado: Este tópico tem sido narrado de uma forma romanceada por alguns dos historiadores e intérpretes Muçulmanos e Cristãos, e transformado numa lenda como resultado das muitas falsidades e rumores que lhe têm sido acrescentados. Todavia, este incidente é uma realidade histórica.

Serão os Companheiros da Caverna de Efêso?

Efes'teki mağaranın dıştan görünüşü
Relativamente à cidade onde estes jovens habitavam e à caverna onde se refugiaram, várias localizações são defendidas em diferentes fontes. A razão primordial para tel deve-se ao desejo das gentes em considerarem que semelhantes jovens, plenos de coragem e bravura, tenham vivido na sua cidade, assim como à grande semelhança das cavernas nessas regiões. Por exemplo, na quase totalidade destes locais existe um local de culto que se diz ter sido edificado sobre as cavernas.
Como é bem sabido, o Efêso é um local sagrado para os Cristãos devido a existir uma habitação nesta cidade que se diz ter sido a da Virgem Maria, depois transformada numa igreja. Então é para eles altamente provável que os companheiros da caverna residissem num desses lugares sagrados. Inclusivamente, algumas fontes Cristãs afirmam certeza no localização.
A fonte de maior antiguidade respeitante a este assunto pertence ao sacerdote Sírio Tiago de Saruc (nascido no ano 452 D.C.).O famoso historiador Gibbon, por diversas vezes, citou o estudo de Tiago, na sua obra O Declínio do Império Romano. Segundo este livro, o nome do Imperador que torturou os sete jovens crentes Cristãos, obrigando-os a buscar refúgio numa caverna, era Decius. Este governou o Império Romano entre 249 e 251 D.C., sendo este período generalizadamente conhecido pelos tormentos infligidos aos seguidores de Cristo. De acordo com os intérpretes Muçulmanos, a região onde o evento teve lugar é "Aphesus" ou "Aphesos". Segundo Gibbon, o nome deste local é Efêso. Situada na costa ocidental da Anatólia, esta cidade tinha um dos maiores portos das cidades do Império Romano... As ruínas desta metrópole são actualmente conhecidas como "A antiga Cidade de Efêso".
O nome do Imperador que reinava na altura em que os Companheiros da Caverna despertaram do seu longo sono é Tezusius, de acordo com os investigadores Muçulmanos, enquanto que é Teodósio II segundo Gibbons. Este Imperador governou entre 408 e 450 D.C., depois do Império Romano se ter convertido ao Cristianismo.
Referindo-se ao versículo abaixo indicado, em alguns comentários é dito que a entrada da Caverna está virada para norte, daí que a luz do sol não pudesse penetrar no seu interior. Também assim quem passasse pela caverna não poderia vislumbrar de todo o seu interior. O versículo do Alcorão relacionado com o assunto informa-nos:
E tu poderias ter visto o sol, quando se elevava, resvalar a Caverna pela direita e, quando se punha, deslizar pela esquerda, enquanto eles ficavam no seu espaço aberto. Este é um dos Sinais de Allah: Aquele que Allah encaminhar estará bem encaminhado; mas aquele que Allah abandonar, jamais poderás achar-lhe protector que o guie (para o Caminho Correcto).(Capítulo Al-Kahf – 18:17)
O arqueólogo Dr. Musa Baran, no seu livro intitulado Ephesus, aponta para Efêso como o local onde este grupo de jovens crentes habitava, e acrescenta:
No ano 250 A.C., sete jovens habitantes de Efêso escolheram o Cristianismo em detrimento da idolatria. Tentando encontrar uma saída, estes jovens descobrem uma caverna na encosta oriental do monte Pion. Vendo isto, os soldados Romanos erguem um muro na entrada da caverna. 45
Hoje em dia é reconhecido que sobre estas velhas ruínas e grutas se erguem muitas construções de natureza religiosa. As escavações levadas a cabo pelo Instituto Arqueológico Austríaco em 1926, revelaram que as ruínas descobertas na encosta oriental do monte Pion pertenciam à constução erigida em honra dos Companheiros da Caverna, a meio do século 7° (durante o reinado de Teodósio II). 46

Serão os Companheiros da Caverna de Tarso?

A segunda localização apresentada como o local onde os Companheiros da Caverna haviam vivido é Tarso. Na realidade aí existe uma caverna em tudo semelhante à que é descrita no Alcorão, que se situa numa montanha conhecida como Encilus ou Bencilus, no noroeste de Tarso.
A ideia de Tarso é a teoria defendida por muitos estudiosos Islâmicos. Um dos mais importantes intérpretes do Alcorão, At-Tabari, indicou o nome da montanha onde se localizava a caverna como sendo "Bencilus", na sua obra intitulada Tarikh-al Umam, e acrescentou que esta se encontrava em Tarso. 47
Igualmente, outro famoso intérprete do Alcorão, Mohammed Emin, afirma que o nome da montanha é "Pencilus" e que era em Tarso. O nome pronunciado "Pencilus" pode por vezes ser dito "Encilus". Segundo ele, a diferença entre as palavras deve-se à pronúncia diferente da letra "B" ou à perda de uma letra da palavra original, caso conhecido como "abrasão histórica de palavras". 48
Fakhruddin ar-Razi, outro bem conhecido estudioso do Alcorão, explica na sua obra que "apesar de se chamar a este local Efêso, a intenção básica é dizer Tarso, pois Efêso é um dos nomes de Tarso." 49
Tarsus'ta Ashab-ı Kehf'e ait olduğuna inanılan mağara
De igual modo, nos comentários de Qadi al-Baidawi e an-Nesafi, al-Jalalayn e at-Tibyan, nos de Elmaly e O. Nasuhi Bilmen, assim como muitos outros estudiosos, este lugar é especificado como "Tarso". Para além disso, todos estes intérpretes explicam a frase no 17° versículo, "o sol, quando se elevava, resvalar a Caverna pela direita e, quando se punha, deslizar pela esquerda," dizendo que a entrada da caverna se encontrava virada a norte. 50
A residência dos Companheiros da Caverna foi igualmente assunto de interesse na época do Império Otomano, e algumas pesquisas foram efectuadas sobre a questão. Existe uma série de correspondência e troca de informações a respeito do assunto nos Arquivos Otomanos do Prime Ministry. Por exemplo, numa carta enviada ao Tesoureiro Superior do Estado Otomano pela administração local de Tarso, existe um pedido formal com uma mensagem anexa, notificando o seu desejo de pagar um salário às pessoas que se encarregavam da limpeza e manutenção da caverna de Ashab-y Kehf (companheiros da caverna). Em resposta a esta missiva, fora afirmado que para se poder proceder ao pagamento destes salários, revelava-se indispensável averiguar se este era realmente o local onde residiram os companheiros da caverna. As pesquisas efectuadas para semelhante propósito foram extremamente úteis na determinação da localização da caverna.
Num relatório preparado após a investigação feita pelo Concelho Nacional, é afirmado que "A norte de Tarso, uma província de Adana, existe uma caverna numa montanha a cerca de duas horas de distância de Tarso, e a entrada para esta caverna é virada a norte, como descrito no Alcorão." 51
As discussões alargaram-se a quem seriam os companheiros da ceverna, onde e quando viveram; todas estas questões levaram as autoridades a efectuar pesquisas sobre o assunto e muitos comentários foram feitos acerca de questão. Contudo, nenhum destes comentários pode ser considerado exacto, portanto, questões como as que incidem sobre o período em que estes jovens crentes viveram, ou sobre a localização da caverna mencionada nos versículos, permanecem sem respostas consubstanciadas.

DİPNOTLAR

45. Musa Baran, Efes, s. 23-24.
46. L. Massignon, Opera Minora, Cilt III, s. 104-108.
47. Taberi, Tarih-ul İmem.
48. Muhammed Emin.
49. Fahreddin Razi.
50. Kadı Beyzavi'nin, Nesefi'nin, Celaleyn ve Tıbyan tefsirlerinde, Elmalılı'nın, ö. Nasuhi Bilmen'in tefsirlerinde.
51. Ahmet Akgündüz, Tarsus Tarihi ve Ashab-ı Kehf.

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